Quando os dias ficam mais curtos e as temperaturas começam a baixar, é natural surgir uma dúvida: um sistema solar térmico continua a produzir água quente no outono e no inverno?
Sim. Um sistema solar térmico pode continuar a aproveitar a energia solar durante os meses mais frios. O seu funcionamento depende da radiação solar disponível, e não simplesmente da temperatura exterior. No entanto, como a disponibilidade de energia solar varia ao longo do ano e existem períodos de menor radiação, é normalmente necessário contar com um sistema de apoio para assegurar as necessidades de água quente quando a energia captada não é suficiente.
Em Portugal, esta tecnologia assume particular interesse para a produção de água quente sanitária (AQS) e permite aproveitar uma fonte de energia renovável durante todo o ano.
Como funciona o solar térmico quando está frio?
É importante distinguir solar térmico de solar fotovoltaico.
Os painéis fotovoltaicos transformam a radiação solar em eletricidade. Já os coletores solares térmicos captam energia solar sob a forma de calor, que é depois transferida através do circuito para aquecer a água armazenada num depósito.
Por isso, não é necessário estar um dia quente de verão para existir aproveitamento solar.
Num dia de inverno com radiação solar, os coletores podem continuar a captar energia mesmo com temperaturas exteriores baixas.
Naturalmente, a quantidade de energia disponível não é constante. A própria avaliação energética oficial dos sistemas solares tem em consideração dados climáticos como radiação solar e temperatura, que variam consoante a localização e o período do ano.
Então porque produz menos no inverno?
Embora continue a existir radiação solar, no inverno temos geralmente menos horas de sol e uma menor disponibilidade de energia solar do que nos períodos mais favoráveis do ano.
Além disso, as necessidades de energia para aquecer a água podem aumentar devido à menor temperatura da água de entrada.
Consequentemente, a contribuição do sistema solar varia ao longo do ano.
É precisamente por este motivo que um sistema solar térmico deve ser corretamente dimensionado em função das necessidades de água quente, localização, orientação, características dos coletores e capacidade de acumulação.
E quando não existe energia solar suficiente?
Um sistema solar térmico doméstico é normalmente integrado com uma fonte de energia de apoio.
Quando a energia captada pelos coletores não é suficiente para levar a água até à temperatura necessária, o sistema complementar fornece a energia em falta.
Dependendo da instalação, esse apoio pode ser realizado através de diferentes equipamentos ou fontes de energia.
Isto significa que o objetivo não é depender de condições meteorológicas perfeitas para ter água quente. O solar térmico procura aproveitar primeiro a energia renovável disponível, sendo o apoio utilizado quando necessário.
Termossifão ou circulação forçada?
Existem diferentes configurações de sistemas solares térmicos, sendo duas das mais comuns o termossifão e a circulação forçada.
Sistema por termossifão.
Nos sistemas por termossifão, a circulação do fluido ocorre naturalmente devido à diferença de temperatura. É uma solução relativamente simples, sendo habitual encontrar o depósito instalado acima dos coletores.
Pode ser particularmente interessante em determinadas moradias onde as características do edifício permitem instalar todo o conjunto na cobertura.
Sistema de circulação forçada.
Na circulação forçada, o depósito pode ficar separado dos coletores e o movimento do fluido é realizado através de um grupo de circulação, normalmente gerido por um sistema de controlo.
Esta configuração oferece maior flexibilidade na localização dos componentes e permite adaptar o sistema a instalações com características mais complexas.
Não existe uma solução universalmente melhor: a escolha depende das características do imóvel, necessidades de AQS, espaço disponível e configuração da instalação.
Quanto pode contribuir o solar térmico para a água quente?
A resposta depende muito da instalação.
Não seria rigoroso prometer uma determinada percentagem de poupança para todas as casas.
Como referência, a Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) indica que os coletores solares normalmente podem suprir cerca de 60% a 80% das necessidades de água quente das instalações onde estão presentes. Trata-se de uma referência geral e não de uma garantia de desempenho para uma instalação específica.
A contribuição efetiva depende de fatores como:
- Localização geográfica;
- Orientação e inclinação dos coletores;
- Área de captação;
- Sombreamentos;
- Capacidade do depósito;
- Número de utilizadores;
- Perfil de consumo de água quente;
- Estado e manutenção do sistema.
É por isso que o dimensionamento e instalação são tão importantes quanto o próprio equipamento.
O solar térmico compensa no inverno?
O inverno não deve ser analisado isoladamente.
Um sistema solar térmico é um investimento pensado para funcionar ao longo de todo o ano, aproveitando a energia disponível nas diferentes estações.
Durante os meses de maior radiação, a contribuição solar tende a ser superior. Nos períodos menos favoráveis, o sistema de apoio assume uma parcela maior das necessidades energéticas.
É o balanço anual que deve ser considerado quando se avalia a solução.
A DGEG enquadra precisamente o solar térmico como uma tecnologia renovável aplicável à produção de água quente sanitária e ao aquecimento.
Já tem solar térmico? O outono é uma boa altura para verificar o sistema.
Quem já possui um sistema solar térmico também deve preocupar-se com a sua manutenção.
Depois dos meses de maior exposição solar e antes do inverno, pode ser oportuno verificar o estado geral da instalação.
Dependendo do sistema, uma manutenção técnica poderá incluir a avaliação dos coletores, circuito hidráulico, isolamento das tubagens, depósito, grupo de circulação, elementos de segurança e sistema de controlo.
O isolamento das tubagens e depósitos é particularmente relevante para limitar perdas térmicas; os próprios requisitos energéticos dos edifícios contemplam o isolamento destes componentes.
A manutenção adequada contribui para preservar o desempenho e identificar eventuais anomalias antes dos meses em que o sistema de apoio poderá ser mais solicitado.
Solar térmico continua a fazer sentido durante todo o ano.
A chegada do outono não significa que os coletores solares deixem de ser úteis.
Mesmo durante os meses mais frios, a radiação solar disponível pode continuar a ser aproveitada para produzir água quente, reduzindo a quantidade de energia que terá de ser fornecida pelo sistema de apoio.
O desempenho dependerá sempre das condições climatéricas e, sobretudo, de um sistema corretamente dimensionado e instalado.
Na Tecnodome, disponibilizamos soluções de solar térmico por termossifão e circulação forçada, bem como assistência e manutenção de sistemas, permitindo encontrar a solução mais adequada às características de cada habitação.
A Tecnodome intervém nos concelhos de Lisboa, Oeiras, Cascais, Sintra, Mafra, Torres Vedras e Lourinhã.
Pretende instalar um sistema solar térmico ou verificar o estado do equipamento que já tem? Fale com a Tecnodome e peça aconselhamento ou orçamento.

