O setor da climatização e da produção de águas quentes sanitárias está a atravessar uma das maiores transformações das últimas décadas.
Embora muitos consumidores estejam atentos à eficiência energética dos equipamentos, existe outro fator igualmente importante que está a impulsionar a evolução tecnológica: os gases refrigerantes utilizados nos sistemas de climatização e bombas de calor.
A União Europeia tem vindo a implementar medidas cada vez mais rigorosas para reduzir o impacto ambiental destes gases, promovendo a utilização de alternativas mais sustentáveis e com menor potencial de aquecimento global.
Mas o que significa isto na prática para quem pretende instalar ou substituir um equipamento?
O que são gases refrigerantes?
Os gases refrigerantes são substâncias utilizadas em equipamentos de climatização, ar condicionado, refrigeração e bombas de calor.
A sua função é permitir a transferência de calor, tornando possível aquecer ou arrefecer ambientes e produzir água quente sanitária de forma eficiente.
Sem estes fluidos, o funcionamento de uma bomba de calor ou de um sistema de ar condicionado simplesmente não seria possível.
Porque é que os gases refrigerantes estão a mudar?
Durante muitos anos, foram utilizados gases fluorados que, embora eficientes, apresentam um elevado Potencial de Aquecimento Global (GWP – Global Warming Potential).
Em caso de fuga para a atmosfera, estes gases podem contribuir significativamente para o efeito de estufa.
Por esse motivo, a União Europeia aprovou o novo Regulamento (UE) 2024/573 relativo aos gases fluorados com efeito de estufa, reforçando a redução gradual da utilização de refrigerantes com elevado impacto ambiental.
O objetivo é acelerar a transição para alternativas mais sustentáveis e contribuir para as metas europeias de neutralidade carbónica.
O que prevê o novo Regulamento Europeu?
O regulamento estabelece um conjunto de medidas destinadas a reduzir progressivamente a colocação no mercado de gases fluorados.
Entre os principais objetivos destacam-se:
- Redução gradual da utilização de gases com elevado GWP;
- Promoção de refrigerantes alternativos mais ecológicos;
- Incentivo à inovação tecnológica;
- Diminuição das emissões associadas aos equipamentos de climatização;
- Apoio à estratégia europeia de descarbonização dos edifícios.
Na prática, os fabricantes estão a adaptar os seus equipamentos para responder a estas exigências futuras.
O propano (R290): uma das grandes apostas do futuro.
Uma das alternativas que tem ganho maior relevância é o R290, conhecido como propano.
Este refrigerante natural apresenta um Potencial de Aquecimento Global extremamente reduzido quando comparado com muitos gases fluorados utilizados no passado.
Além das vantagens ambientais, oferece excelentes características de desempenho energético.
Por essa razão, vários fabricantes estão a investir fortemente nesta tecnologia.
A aposta da Bosch nas novas gerações de bombas de calor.
A Bosch Home Comfort tem vindo a desenvolver novas gerações de bombas de calor concebidas para responder às exigências ambientais futuras.
As bombas de calor Compress 5800i AW e Compress 6800i AW utilizam precisamente o refrigerante natural R290.
Segundo a Bosch, esta tecnologia combina elevada eficiência energética, baixos níveis de ruído e uma redução significativa do impacto ambiental.
Trata-se de uma aposta estratégica da marca para acompanhar a evolução da regulamentação europeia e as necessidades dos consumidores.
Porque é que isto interessa ao consumidor?
À primeira vista, o tipo de refrigerante utilizado num equipamento pode parecer um detalhe técnico.
No entanto, esta escolha tem impacto em vários aspetos:
Sustentabilidade: Equipamentos com refrigerantes naturais apresentam menor impacto ambiental ao longo do seu ciclo de vida.
Preparação para o futuro: Os novos equipamentos já são concebidos para responder às exigências regulamentares dos próximos anos.
Eficiência energética: Os refrigerantes de nova geração permitem otimizar o desempenho dos sistemas.
Valorização do imóvel: Habitações equipadas com tecnologias mais eficientes e sustentáveis tendem a estar mais alinhadas com as futuras exigências do mercado imobiliário.
O que acontece aos equipamentos atuais?
A existência de novas regras não significa que os equipamentos atualmente instalados deixem de funcionar ou tenham de ser substituídos imediatamente.
A transição será gradual.
Contudo, à medida que os fabricantes desenvolvem novos equipamentos e a legislação evolui, os sistemas mais antigos poderão tornar-se menos competitivos em termos de eficiência, disponibilidade de componentes e impacto ambiental.
Por isso, quando chega o momento de substituir um equipamento, faz sentido considerar tecnologias já preparadas para o futuro.
Uma mudança que vai além das bombas de calor.
Esta evolução não afeta apenas as bombas de calor.
Os sistemas de ar condicionado também estão a incorporar refrigerantes com menor impacto ambiental e tecnologias mais eficientes.
O objetivo é comum: reduzir o consumo energético dos edifícios e diminuir as emissões associadas à climatização.
Trata-se de uma transformação que está a ocorrer em todo o setor e que continuará a acelerar nos próximos anos.
O papel da instalação especializada.
As novas tecnologias exigem também maior especialização técnica.
A escolha do equipamento adequado, o correto dimensionamento e uma instalação realizada por profissionais qualificados continuam a ser fundamentais para garantir segurança, eficiência e durabilidade.
Além disso, a manutenção periódica permite preservar o desempenho dos equipamentos e assegurar o cumprimento das boas práticas ambientais.
Conclusão.
A evolução dos gases refrigerantes representa uma das mudanças mais importantes no setor da climatização e da produção de águas quentes sanitárias.
Impulsionada pela legislação europeia e pela necessidade de reduzir o impacto ambiental dos edifícios, esta transformação está a conduzir o mercado para soluções mais eficientes, sustentáveis e preparadas para o futuro.
Ao optar por equipamentos de nova geração, os consumidores não estão apenas a investir em conforto e eficiência energética. Estão também a preparar as suas habitações para uma nova era da climatização.
Fontes
Regulamento (UE) 2024/573 sobre Gases Fluorados.

